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quinta-feira, 18 de julho de 2019

03.07.2019 - CIA Mãos que Tecem Histórias, na feira Catarinense do Livro, em Florianópolis!

E o Contador de Histórias, quando está por inteiro, de caso com a palavra bem contada, desata a imaginação...
(A Cia Mãos que Tecem Histórias, aos pouco vai crescendo. Coordenação: Claudete T. da Mata - Ação voluntária) 777, venha nos patrocinar queridos empresários...
E fomos à Feira Catarinense do Livro, com seus integrantes e convidados, que levaram suas encantarias em cena, a narrar, cantar, dançar e poetizar...
 E as Narradoras amigas, aos poucos foram chegando.
(Da esquerda à direita: As Narradoras de Histórias Roseli Schutel, Vó Osmarina Maria de Souza, Andréa Rihl, Claudete T. da Mata (Eu) e Marli Emmerick Ferreira)

Chamamos as histórias com cantorias que, só os contadores de histórias de alma e coração, conseguem fazer. O demais, necessita de ensaios, palco bem decorado, muitas fitas e rendas... Na CIA Mãos que Tecem Histórias, o Narrador é nosso Convidado a entrar em cena - da plateia para o palco... 
 Bianca (Abaixo) chama os Três Porquinhos no dedilhar das cordas de seu violão.
Bianca Ramos, encantou gente crescida e os que ainda estão a descobrir a encantaria da  musicalidade que conta histórias.
 Eu a acompanho na cantoria de chamada da Dona Bernúncia.
 Entrada da Dona Bernúncia...
 O público, pelo corredor da Feira, certamente que está a nos ouvir. assim é nosso público em ambientes de visitações, compras de livros, etc. Não é um palco de teatro...  Assim é a tarefa de quem vai contar histórias nesses ambientes.
 E quem gosta de ouvir sem olhar mil coisas, senta confortavelmente, enquanto a dona Bernúncia faz a sua  obrigação de entrar na roda, dançar e até abrir seu bocão...
É a Cia MqTH, mais um de meus sonhos que aconteceu e promete acontecer sempre. Assim estou a aprender com os passos que me levam  de mãos dadas com os amigos fraternos, aos lugares por onde no chamam. E me maravilho com o público, a presença interativa do amigos visitantes, dos ouvintes-leitores, com o toque de cada amanhecer. Desde menina, eu sonhava ser o que sou.
 (Bernúncia: confecção de Claudete T. M.s)
 Ela chega encantando a todos.
Após a dança narrativa, cantante/encantante da Dona Bernúncia, aconteceu a Mediação de Leitura animada do Conto da "Bernuncinha - Olê, Olê, Olá...", de Fábio Castilho. 
E sempre vejo o aconchego das narrativas nas diferentes vozes e linguagens, cada qual a expressar na sua forma peculiar de ser e de estar, no alinhavar dos fios de memórias na expressão da arte e da cultura tradicional por onde perpassam a vasta forma de narrar histórias que inspiram o querer de cada ouvinte... E o meu querer sempre rodopia, dança, me esbugalha os olhos a me fazer voltar a ser criança. É aquele querer que precisamos ter, para que os sonhos aconteçam. Assim vivo esse viver há mais de 30 anos. Por isso, não me é difícil continuar sonhando e fazer outros sonhos vir à realidade. 
 E uma força estranha, que chega de mansinho a nos encorajar. 
 Vó Osmarina tem vida longa, sempre a nos preparar para a maturidade cheia de garra, gosto e amor pela arte narrativa e o abraço fraternos dos amigos...
 A Vó nos agraciou com a sua Mulata Faceira. 
 Andréa Rihl nos levou ao encontro da "Velha Rendeira"...
 Ana Esther e Marli, encantoram os ouvintes com contos e cantorias...
Público entra em cena com a narrativa interativa do "Carvalhinho Solitário", autoria da própria Ana Esther Balbão.  
Os ouvintes viajam no dorso da imaginação...

A escritora/narradora de histórias, Princia Belli narrou um poema de Cruz e Sousa - Poeta catarinense que ganhou o mundo e até um museu em sua homenagem, no centro de Florianópolis: Museu Cruz e Sousa. 
E fico atrevida, sem medo de por os pés no chão, as mãos nas massas e nas maçãs. E quando acordo em cada amanhecer, agradeço ao nosso Criador por tudo o que vivi e o que ainda viverei... Sei que o amanhã é um tanto de ilusão que muitos de nós ainda ousam programar..., mas sonhar é preciso... E viver esses sonhos, é vida longa para muitos. Então, meninas da Cia MqTH, vamos viver esse sonho não sonhado só.
Nessa tarde a Contadora de Histórias, também escritora, Raquel Mazzera, representando a "Academia Brasileira de Contadores de Histórias",  também esteve conosco a narrar um causo da vida real do povoado de São João Batista, sua terra natal. 

Meninas: Ana Esther Balbão Pithan, Bianca Ramos, Roseli Schutel, Andréa Rihl, Princia Beli, Osmarina Maria de Souza, Marli Emmerick Ferreira, - Vocês que não me deixaram sozinha em cena; nossos ouvintes-leitores - Nita Saideles Martins, Dom Oscar, Vera Portella, Vera Lucia Silva, Flavia Cardoso Mendes e sua neta Giovana, minha neta Catarina, todas as crianças e adultos que passaram e ficaram para nos ouvir, o público que nos ouviu, mesmo sem querer... A todos, em especial ao nosso #Criador, aqui expresso minha GRATIDÃO! E VOLTAREMOS, MUITO EM BREVE.

Fonte textual: Vivencias do grupo, literatura da tradição oral - segredos ancestrais.
777, venham nos patrocinar queridos empresários... GRATID.ÃO pelo pronto atendimento.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Espaço de Histórias: Como tudo começou?

FORMAÇÃO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS-MEDIADOR DO LIVRO E DA LEITURA ANIMADA E COMPARTILHADA

O curso surgiu com o intuito de fomentar o refinamento da prática da oralidade, sacudir nos contadores de histórias o gosto pelo livro e pela leitura, pesquisar, estudar e incentivar estas atividades de difusão cultural capazes de contribuir com o despertar da sensibilidade humana, o imaginário consciente e o despertar da criatividade dos participantes envolvidos nestas atividades em grupo.

Julho: 13 e 27/07;
  
Agosto: 10/08 e 24/08;
Setembro: 14/09 e 28/09;
Outubro: 19/10;
Novembro: 09/11 e 23/11.
*cronograma sujeito a alteração.
Turma 1 - 15h às 17h
Turma 2 - 19h às 21h
Nessa segunda-feira (13.07.2015) foi ministrada a primeira aula da oficina gratuita: Espaço de Histórias, que até o momento atual está a ensinar técnicas e métodos de contação de histórias aos participantes. Realizado no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, o curso é uma iniciativa da Academia Brasileira de Contadores de Histórias (ABCH) em parceria com a Fundação Catarinense de Cultura, desde o início da criação da Oficina Literária Boca de leão (24.07.2012), Projeto doado por Claudete T. da Mata à FCC (em 2016).  
Foto: Fotógrafo da FCC
E levamos o Curso Espaço de Histórias para o CIC, em 13 de julho de 2015. 
(Ação ABCH, em andamento)
O conteúdo de formação foi elaborado pela contadora de histórias Claudete Terezinha da Mata, Presidente de Honra da ABCH, inicialmente ministrado pela autora do projeto e a Vice-Presidente da ABCH, Cristina Magdaleno Lopes.  

Narração de histórias, dia 25 de abril de 2016 - Auditório da Biblioteca Pública de SC.
De onde surgiu a ideia do Curso?


O Curso surgiu da necessidade de inovações do processo de formação de contadores de histórias, incluindo a modalidade: Mediador do Livro e da Leitura Animada e Compartilhada. Um processo contínuo em prol da formação do narrador oral consciente de seus atos em cena. Assim como o Projeto “Tempo de Histórias" surgiu de necessidades observadas na primeira apresentação do Projeto “Histórias na Praça”, diante das necessidades observadas no decorrer das apresentações do Projeto Tempo de Histórias, surgiu a ideia de levar o Projeto de Formação do Contador de Histórias, em funcionamento na Biblioteca Pública de SC (desenvolvido na Oficina Literária Boca de Leão, atualmente só com a formação de escritores conscientes), foi aque a partir de de uma Reunião de Diretoria, na BPSC, decidiu-se levar a formação do contador de histórias para o CIC, pela ABCH foi intitulado: Curso “Espaço de Histórias”, com carga horária de Curso (não de Oficina) funcionamento na sala de cinema do Centro Integrado de Cultura/CIC.

Curso aberto ao público em geral, em idade a partir dos 10 anos (desde que esteja acompanhado de um adulto responsável). 

Em 06.03.2017, o curso retorna com a sua Terceira Etapa, atendendo duas turmas que iniciaram em 07.03.2016. 
Continuidade da proposta de Formação que, desde sua criação em 13.07.2015, está voltado ao estudo, à pesquisa e ao aprendizado de técnicas para o desenvolvimento das competências das Práticas da Oralidade dos Narradores de Histórias-Mediadores de Leitura Animada e Compartilhada.  Uma etapa de muitas trocas de saberes entre os integrantes a se preparar para se sentirem de fato: Contadores de Histórias. Todos conscientes dos seus deveres em cena, sempre a experimentar dos benefícios levados aos leitores-ouvintes, enquanto sujeitos afetivos, também, para si mesmos. 
Metodologia do Curso: Em “Três Etapas”, o curso propõe a inclusão de “Oficinas Extras”, com a exigência de frequência Mínima de 75%. Com acesso às informações (Conhecimentos teóricos e práticos de diferentes estilos-modalidades) importantes ao empoderamento do narrador oral, para o fortalecimento do processo afetivo-criativo a convidar os seus leitores-ouvintes para uma viagem única... Dinamizar o refinamento das práticas da oralidade a revelar os segredos de cada narrativa em cena, com planejamento mensal. assim propor aos integrantes, momentos indispensável aos narradores que habitam o o interior de cada um. sempre incentivados à busca do acesso não somente aos livros literários, como também acordar os seus saberes implícitos e contidos na sua infância interior.
Em todas as etapas do curso, busca-se priorizar o empoderamento do contador de histórias, oportunizando benefícios para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, emocional, criativo e cultural de cada integrante envolvido em rodas de escuta e apreciação de saberes teóricos e práticos.
As Oficinas Extras surgem para que todos tenham acesso às falas de diferentes profissionais; outras metodologias para agregar conhecimento sobre outras tendências da narratividade oral, assim poder chegar ao enriquecimento de novas falas e outras formas de linguagens simbólicas, onde o real sempre vai estar de mãos dadas com o poder da imaginação. Tudo sempre regado com águas da amorosidade humana.  
As aulas acontecem quinzenalmente, no cinema do Centro Integrado de Cultura e outros espaços de acolhimento às ações deste projeto. 

Curso: espaços de proposição de ensino e troca de aprendizado, de respeito às diferenças identificadas no decorrer das aulas, paralelas às práticas em grupo, acontece com repasses de técnicas essenciais a cada estilo narrativo. tudo sem mexer nas escolhas do narrador oral.
Fechada esta terceira Etapa, em 13 de julho/2017, o projeto terá continuidade, com a Primeira Etapa a ser iniciada no dia 07 de Agosto/2017 - com as duas novas turmas (vespertino e noturno), com conclusão em 13.07.2018.
Fora do espaço da FCC, o Curso exige um Investimento no mínino de R$30,00 (Mensal) por integrante. Ou para quem participa somente das Oficinas Extras: R$60,00 (Por Oficina, gerando possibilidades de ressarcir os Oficineiros)
Considerações Finais
A ABCH, por não possuir patrocínios financeiros de outras entidades, empresas, etc., em especial, da Fundação Catarinense de Cultura. Neste contínuo, por meio de suas atividades de formação e apresentações, busca multiplicar, preservar e perpetuar os contadores de histórias, narradores orais e a nossa ancestralidade. Por ser uma entidade sem fins lucrativos, busca todo o apoio possível para o custeio de suas práticas: Viagens, alimentação e estadia dos acadêmicos a serviço da ABCH. Até o presente momento, somente, recebe o apoio da Fundação Catarinense de Cultura para o desenvolvimento das ações. Demais projetos levados à sociedade.
Apoio da FCC à ABCH: Liberação de Espaços da FCC; divulgações das ações da ABCH, no site da FCC e CIC, custeio de viagens, liberação de xerox de documentos, etc. Por estas ações acima citadas acontecerem dentro das Casas da FCC; onde a ABCH também colabora com o desenvolvimento de alguns eventos da FCC. Ou seja, considerando o Termo de Cooperação nº 307/2015 – 2017, entre a FCC e a ABCH, solicitamos por meio de Ofícios à Presidência da Fundação Catarinense de Cultura – FCC, solicitando Isenções no uso de Espaços da FCC, para o desenvolvimento das oficinas no espaço do Centro Integrado de Cultura, também na divulgação das ações da ABCH pela Assessoria de Comunicação da FCC. 
Em casos especiais, solicitamos a liberação de cobranças em outros espaços, para o desenvolvimento das Oficinas Extras, com direito à cobranças de Investimentos (dos Cursistas), para o pagamento de ministrantes convidados. Na FCC, conseguimos fazer isso por meio de venda de produtos: livros, etc. Assim, a ABCH necessita da colaboração de outros órgãos, por meio de patrocínio via depósito nominal, que pode ser solicitada as informações para este fim, por email: claudete_tm@hotmail.com!
Claudete T. da Mata - Nona Feira Catarinense do Livro/Florianópolis/SC - Maio de 2016. 
Maria Teresinha Debatin - Taquaras/Rancho Queimado/SC - Dezembro de 2016.
Idealização, Redação e Coordenação dos Projetos (Histórias na Praça; Tempo de Histórias e Espaço de Histórias), junto com a Madrinha da ABCH, Maria Teresinha Debatin e a Presidente de Honra Claudete T. da Mata, em Assembleias e Reuniões de Diretoria.

A arte de contar histórias, com ou sem a presença do livro, na ABCH, é um convite a uma viagem repleta de narratividade a alimentar a alma humana, desde a sua tenra idade. O Espaço de Histórias, por meio de aulas expositivas e práticas e suas oficinas extras, acorda os fios da memória de seus leitores e seus ouvintes afetivos. Todos na preservação do narrador de histórias, também na perpetuação da nossa ancestralidade. E assim, cada narrador vai estar envolvido com os espaços de agregação de novos saberes. Desses narradores a serviço das possibilidades de crescimento que constitui o acervo da literatura oral. Claudete T. da Mata

Currículo Resumido:
Claudete Terezinha da Mata, Pedagoga, Especialista e Mestre em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Ministrante de cursos de capacitação pedagógica para professores, arte-educadores e outros profissionais. Ministrante de oficinas de formação de contadores de histórias, mediadores do livro e da Leitura animada e compartilhada. Contadora de histórias militante e atriz bonequeira. Mulher Oleira.  Escritora e Cronista. Orientadora da Aprendizagem e Supervisora de Estágios em Cursos de Pós-Graduação (Quando Convidada). Pesquisadora de histórias para a preservação de memórias tradicionais. Gestora de projetos da ABCH. Voluntária-Ativista em atividades culturais e artísticas, Militante na arte das narrativas orais, em Bibliotecas Públicas de SC e outras casas e pontos de cultura, escolas, praças, universidades e comunidade em geral. Idealizadora do Curso Espaço de Histórias: Formação do Contador de Histórias-Mediador do Livro e da Leitura animada e Compartilhada (lançamento em 13.07.2015); Mão que Tecem Histórias (Projeto para o incentivo de estudos, pesquisas, desenvolvimento de oficinas de resgate de memórias adormecidas e perdidas e registros catalográfico, com textos, fotos e vídeos...). Presidente Nacional/Fundadora da Academia Brasileira de Contadores de Histórias/ABCH (Matriz), Sede em Florianópolis/SC. Ações 100% voluntárias.

BIBLIOGRAFIA:
ALVES, Rubem. Ao Professor, Com o Meu Carinho. Editora: Bestbolso - Categoria: Literatura Nacional / Contos e Crônicas.
BELINKY, Tatiana. Os Contos de Grimm. Tradução do alemão. SP: Ed. Paulus, 1989.
BUSATTO, Cléo. O Fio da História: Por uma educação pela paz. Curitiba/PR: Artes & Textos, 2011.
___________ Práticas da Oralidade na sala de aula. SP: Cortez, 2010 (Oficinas aprender fazendo).
___________ Contar e Encantar: Pequenos segredos da narrativa – Petrópolis/RJ: Vozes, 2012.
JOSÉ, Elias. Memórias, cultura e literatura: o prazer de ler e recriar o mundo. SP: Ed. Paulus, 2012.
SARTRE, Jean-Paulo. A imaginação. Porto Alegre, RS: L&PM, 2013. 
SISTO, Celso. Do griô ao vovô: o contador de histórias tradicional africano e suas representações na literatura infantil. Silvahttp://www.seer.ufrgs.br/NauLiteraria/article/viewFile/43352/27859

sábado, 9 de agosto de 2014

DESEJO DE CRIANÇA

 Uma homenagem a todas as crianças que só ganham bichinhos de pelúcia.
 MINHA LINDA TEM 13 ANOS. ELA PARECE UMA GATINHA DORMINHOCA E NUNCA ROEU NADA, ALÉM DE SABOROSAS TORRADAS. ELA VEIO PARA MIM DEPOIS DA MINHA MENINICE. POR ISSO FIZ ESTA CANÇÃO!

Eu queria ter um cão
Pra brincar lá no meu quarto
Pra fazer estripulias,
E roer o meu sapato.

Eu pedi o dia inteiro
Um cãozinho para mim
Mas meus pais me responderam:
- Ele está lá no jardim!

Eu fiquei feliz,
Eu fiquei feliz
E brinquei o dia inteiro

Eu fiquei feliz,
Eu fiquei feliz
E corri lá no jardim. (bis)

Eu agora tenho um cão
Que se chama Peludinho.

Peludinho dinho dinho
Peludão dão dão
Não está lá no jardim...

Peludinho dinho dinho
Peludão dão dão
Mora no meu coração. (bis)
Quando eu lhe acaricio,
Ele fica bem feliz. (bis)

 Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração. (bis)

Eu queria ter um cão
Pra brincar lá no quintal
Pra fazer estripulias
Puxar roupas do varal...

Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração.(bis)

Eu queria ter um cão
Pra brincar o dia inteiro
Pra fazer umas piruetas
E rolar lá no quintal

Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração. (bis)

Eu queria ter um cão
Pra brincar o dia inteiro
Pra roer às escondidas
A ponta do seu travesseiro.

Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração. (bis)

Eu queria ter um cão
Pra brincar o dia inteiro 
Pra roer de manhãzinha
A sandália da maninha...

Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração. (bis)

Eu queria ter um cão 
Pra brincar o dia inteiro
Pra roer o chulesão do sapato do João...

Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração. (bis)

Eu queria ter um cão 
Pra brincar o dia inteiro
Puxar o vestido da menina
E morder o seu traseiro.

Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Mora no meu coração.

 Peludão dão dão
Peludinho dinho dinho
Onde está o meu cãozinho?

(De Claudete T. da Mata, Agosto de 2014)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

SÓ CONTOS

No começo, era assim que os mais velhos passavam os seus conhecimentos aos mais novos, através de narrativas que contavam o que todos precisavam saber. Eles agiam naturalmente, se expressando e trabalhando o grupo em forma circular, ao pe do fogo, onde os fios da memória entrelaçavam-se, perpetuando a "arte de contar histórias e os segredos de cada narrativa...

CONTEÚDO DE AUTORIA E POSTAGENS - "GRUPO BOCA DE LEÃO"



Cantiga de Guerra

 (Revolução da Década de 1960)

Ao soldado desconhecido...

Na minha infância aos sete anos, já tão distante,
Vêm na minha memória, fragmentos, flagrantes,
De momentos inesquecíveis...

Num velho roçado de milho,
Batata doce, macaxeira, feijão...
Era o que meu pai plantava,
Para a nossa alimentação

Caminhava em meio ao milharal.
Acompanhava os passos dos meus pais
Trançava os cabelos das bonecas de milho.
Minhas irmãs e eu, fazendo traquinagem atrás.

Meu pai zangado quando olhava, perguntava:

─ Quem fez essa arrumação?
Eu logo tomava as dores
Nem foi eu, nem elas não!

─ Oras, mas quem fez?
Decerto, as suas mãos,
E quem confessar
Por essa vez, não apanha não!

 ─ Fomos nós papai!
Não bata em nós não
A gente desfaz todas as tranças
Pois o senhor tem razão
Eu sei que a boneca vai virar
Espiga de milho para nos alimentar.

Ouvia uma voz conhecida
Cantando uma triste canção
Era da minha mãezinha
Enquanto catava feijão

Era cantiga de guerra...
De tanto ela repetir,
Foi que eu aprendi...

De onde era essa guerra?
Eu nunca ouvi falar,
Mas escutei com atenção
A minha mãezinha cantar...

 Não sei, só sei que foi assim...

Toca bumbo, toca surdo, toca tudo,
Que já é... É sinal de guerra
 E quando ouvir a corneta tocando,
 Sou eu que estou chorando
 Com saudade da minha terra. Bis

 Para bumbo, para surdo, para tudo,
 Que já é o meu momento derradeiro
 E quando ouvir a corneta tocando
 Sou eu que estou chegando
 No Rio de Janeiro. Bis 

 Quem achar o botão da minha blusa,
 Faça favor de entrega à mamãezinha
 Diga a ela que seu filho já morreu
 Entregue minha alma a Deus
 E a corneta da Mariquinha. Bis

(Memórias de Infância: Dora Duarte)

 
 

O MENINO DESMEMORIADO E O MACACO FOLGADO
Autoria: Bruxa da Mata
 



Grunet era um menino muito esperto, do tipo que tudo queria saber, virando as coisas do avesso até encontrar aquilo que, muitas vezes, ninguém deseja mostrar.

Certa vez ao subir a colina que o levava até sua casa, um macaco azul pulou nas suas costas. Apavorado, sem saber o que lhe agarrava com aqueles braços peludos, Grunet correu mais veloz que o vento. Subiu a colina sem se dar conta do que acabara de fazer.

Ao chegar em casa, ele sacodiu, sacodiu, sacodiu-se todo... Até não sentir mais aquela agarrada apertada.

Sem fôlego, o menino entrou em casa, sacudiu-se mais um pouquinho... Retirou toda roupa do corpo e correu até o espelho para olhar-se todinho, dos pés até... Quando viu na soleira da janela de seu quarto, um macaco todo azul, parecendo um tanto assustado.

O macaco, mais apavorado que Grunet, começou a tagarelar:

- Uh uh uh...

E só saía um som que o menino entendia: a letra “U”. Então Grunet pegou o macaquinho e o abraçou forte, acalmando o animalzinho.

Depois de ver seu novo amigo, tranquilo, o levou até a cozinha e lhe deu para comer, uma penca de bananas fresquinhas.

Vendo a fome que o macaco tinha, Grunet o batizou de Azulão Comilão.

Depois de encher a pança, era hora de tirar aquela soneca, e o macaco Azulão Comilão, sem perder tempo, foi logo pulando na cama do amigo e dormiu profundamente. Enquanto dormia, seu corpo foi ficando incandescente, e a cor azul transformou-se numa luz que tomou conta do quarto, ultrapassando as paredes e todos os cômodos da casa.

Grunet, divertindo-se lá fora com as borboletas, não viu quando o seu mais novo amigo, agradecido pelo bem recebido, desapareceu, indo embora sem se despedir, deixando o mundo do menino todo colorido.

Ao chegarem em casa, seus pais não acreditaram no que viram.

- Marido, eu te falei que isso ainda ia acontecer.

- Mulher, eu te disse que a gente não deveria deixar o nosso filho brincar solto por aí. Agora só falta ele dizer que foi o vizinho quem pintou tudo isso sozinho.

Neste momento, Grunet chegou radiante, falando pelos cotovelos.

- Pai... Mãe! Vejam o que aconteceu... Mas não fui eu... Foi o Azulão Comilão.

- Quem é este tal de Azulão Comilão? – a mãe quis saber, sendo interrompida pelo marido.

- Só falta ele dizer que é um mago com uma varinha mágica que pintou nossa casa inteirinha, da porta da sala até a cozinha.

- Não!... Quem fez isso foi meu amigo macaco. Ele é todo azul, e se vocês querem ver, ele está lá no meu quarto, descansando com a pança bem cheia de bananas.

A mãe correu até o quarto do filho, e nada viu.

- Grunet Grunet... Onde está o tal amigo?

E o pai falou, encerrando o assunto:

- Mulher, até quando irás com este blá blá blá...

E por mais que desejassem se expressar, o menino e o macaco, continuaram sozinhos - Grunet brincando no seu mundo encantado e o Azulão Comilão cada vez mais folgado.


Fonte: http://www.facebook.com/BruxaDaMata
2013 

 XXXXXXXX
 DOIS CONTOS EM HOMENAGEM A TODOS OS ALUNOS DO ENSINO PÚBLICO DE NOVA TRENTO, PARA EDIÇÃO NA REVISTA “PASSATEMPOESIA”, EM MARÇO DE 2013.

Numa conversa com o meu amigo Mi, na casa de D. Daura, sua mãe e minha professora de "renda de bilro", desde dezembro de 2012, em Capoeiras, Bairro de florianópolis - SC, fiquei sabendo da assombração do TAC, um segredo guardado e só agora revelado. Mi conhece o teatro dos és até a cabeça, e afirma que ele mesmo, numa noite, depois das 23h, após o teatro pronto para os espetáculos do dia seguinte, começou a ouvir uma música que vinha do palco, e um vulto que bailava... Como registrei o relato, estou elborando um conto de arrepiar todos os cabelos do corpo. Até fiz a besteira de comentar com uma escritora catadora de idéias e descobertas alheias, a qual ficou de olhos vidrados ao ouvir e ler este relato na Revista de março, e se dirigindo à minha pessoa, foi logo falando: "Se você quiser, posso escrever um conto!" Falou assim, já catando o que podia, foi quando parei e olhei nos seus olhos da velha matreira, e cortei a conversa. Outra raposa velha, cobra criada que rondava atenta na conversa, saiu de fininho. 

No universo literário, infelizmente, temos que ter todos os cuidados para não ver os nossos legados roubados, depois editados e registrados, até mesmo por colegas, conhecidos e, também, aqueles que colam em nós, dizendo ser nossos amigos - Amigos da Onça, os quais depois do acontecido, se ver os nossos escritos, saem falando, com a maior "cara de pau", pelos quatro cantos do mundo: "O que aquele Fulano fez é um plágio!...
Por enquanto, só estou editando o pequeno relato que segue com o presente título:
  
CLASSIFICAÇÃO
 Conto de Assombração


A BAILARINA E O PIANISTA


Dizem os antigos, que ainda vivem, que na década de cinquenta, no primeiro teatro da Ilha de Santa Catarina, uma bailarina encantadora, bailava ao som de um piano, no palco do antigo teatro, o qual era muito frequentado pela burguesia da época.
Numa noite, após o espetáculo de balé, a bailarina não voltou para casa. Foi encontrada pendurada na vara do palco... Em seguida, dada por desaparecida.
Jamais citaram esta história, mas há quem diz que a bailarina costuma aparecer no palco do teatro, sempre depois da meia noite, talvez esta seja a hora de seu inexplicável desaparecimento. Mas vamos deixa-la em paz, lá no palco do antigo teatro, bailando ao som do “Cisne Negro”, tocada pelo seu amado pianista, com suas eternas lembranças...
 CLASSIFICAÇÃO
 Conto de Origem misturado com Conto Acumulativo

POLACO
No reino dos animais, dentro de um galinheiro cheio de aves de todas as raças, morava Frísia, uma galinha holandesa caramelizada com branco, cheia de pintas pelo corpo. Era uma galinha muito cobiçada. Ela só não ia para a panela porque enxia ninhos e mais ninhos de ovos, onde passava dias e mais dias sobre eles deitada. Era a galinha mais chocadeira do reino.
De sua primeira ninhada, nasceram pintinhos de todos os tamanhos e todas as cores. Somente um nasceu bem diferente. Seu corpo todo coberto de penugens branquinhas, com uma mini crista rosada, por ter o pescoço pelado, mal começou a ciscar, virou motivo de risadas.
Frísia, como todas as mães, prestou atenção em cada filho e a cada um deu um nome:
- Vocês, com jeitinho de francês, serão chamados de Pedrês. Estes miudinhos, com forças nos pés, serão os meus Garnisés. Estes aí cheios de pintinhas, lembrando as pinturas de Joan Miró, o escultor e pintor surrealista catalão, serão os meus Carijós. Estranhando a aparência do filho que nasceu por último, olhando-o da cabeça aos pés, acarinhando seu pescoço, falou toda orgulhosa:
- E você aí... Meu branquinho garboso, com este pescoço engraçado, se chamará Polaco!
E o pequenino pintinho, vivendo naquele galinheiro cheio de aves zombeteiras, as quais não paravam de bater com as línguas nos bicos, parecendo um bando de papagaias, quando viam Polaco passar falavam todas ao mesmo tempo:
- Cócócó... Cócócó... Lá vem pelado!... Não, não... É Polaco, é Polaco!...
Não suportando mais as piadinhas e os maus-tratos dos vizinhos, até mesmo dos próprios irmãos, Polaco arrumou uma trocha com todos os seus pertences e partiu rumo ao palácio, para uma conversa com o Rei Leão.
Somente o Rei acabaria com esta “azucrinação”.
Para entrar no palácio, ele teria que ter uma boa justificativa para falar com o rei... Pelo fato de ter nascido com o pescoço pelado e se tornado motivo de piadas daquele bando de aves malvadas
- Deixe-me pensar... Já sei, levarei uma mensagem ao Rei!
Frísia, ao ver o filho partir, cantou alto para todos ouvir:
- Cócócóóó... Cócócóóó... Meu filho Polaco me abandonou!... Cócócóóó!...
- Pobre mãe aflita, de nada adiantou a gritaria.
Polaco seguiu seu rumo. Caminhou... Caminhou... E no caminho ele ouviu alguém que dizia:
- Polaaacooo.... Polaaaco me leva contigo?
- Quem está aí? – quis saber Polaco, todo preocupado.
- Sou eu seu bobo... O lobo! Mas não se preocupe... Basta me deixar entrar na tua trocha. Prometo que ficarei bem quietinho. Diminuirei de tamanho, como se estivesse no ventre de minha mãe.
- Promete que não vai me dar nem uma mordidinha... Promete?
- Claro que prometo! - e o lobo beijou os próprios dedos em cruz, três vezes, bem assim... Encolheu, encolheu, até caber na trocha.
Polaco, caminhou mais um tanto e parou para se refrescar na água do lago, quando de repente, ouviu uma voz que borbulhava bem à sua frente.
- Pintiiinhooo, pra onde você vai?
- Vou para o reino falar com o Rei Leão!
- Então me leva com você?
- Não posso... Já estou levando o lobo! Se você entrar na minha trocha, ele morrerá afogado!...
Nesse momento, o lago parou... E o silêncio tomou conta daquele lugar, dando a sensação de um vazio sem graça.
- Não fique triste! – exclamou o pintinho, todo preocupado ao ver o lago parado.
- Se você me levar, eu ficarei todo enroladinho, num montinho pequenininho, em qualquer cantinho de sua trocha, sem afogar o lobo!
- Tudo bem então entre! - e lá se foi Polaco carregando o lobo e o lago.
Mais à frente, ele encontrou um pé de espinheiro, com o vento sacudindo seus cachos de flores roxinhas, para todos os lados. Cansado de ficar sempre parado, dependendo do Senhor Vento para movimentá-lo, o espinheiro falou meio “acabrunhado”:
- Ei, você aí, para onde vai... Me leva com você?
- E agora... Quem está falando? – exclamou Polaco, coçando o pescoço pelado.
- Sou eu ao seu lado! – respondeu o espinheiro sacudindo um de seus galhos.
- Ah... É você? Bom... Eu estou indo falar com o Rei Leão, mas pra ser franco, nem sei como entrar no palácio!
- Eu sei... É só você estufar o peito, empinar o nariz se fazendo de fidalgo... Entendeu? Mas você terá que me levar!
- Não vai dar... Já estou levando o lobo e o lago. Lá dentro da trocha, deve estar bem apertado!
- Mas eu prometo, que se você me deixar entrar, ficarei todo enroladinho e encolherei todos os meus espinhos...
- Tudo bem... Não custa levar mais um... Pode entrar!
E lá se foi Polaco, com o lobo, o espinheiro e o lago. Todos dentro de sua trocha, muito bem apertados.
Ao aproximar-se do palácio, o pinto estufou o peito, empinou a crista e o rabo, parecendo um fidalgo. Os soldados, vendo-o assim todo garboso, foram logo abrindo o portão do palácio. Polaco entrou sem olhar para trás, nem para os lados, correndo na direção do salão real, onde fora anunciado.
Rei Leão, sentado no trono todo almofadado com plumas de ganso e camurça “cor de carmim”, falou alto para que Polaco pudesse ouvir.
- Aproxime-se meu rapaz... O que lhe traz aqui? – quis saber o Rei, olhando Polaco, da cabeça aos pés.
- Majestade... Na verdade... Ai minha mãe, agora o que faço?... – falou Polaco, baixando a crista e o rabo.
O rei, vendo Polaco todo sem graça a sussurrar palavras só para si, levantou-se indignado.
- Guardas, guardas! Prendam este pinto desaforado!
Polaco, apavorado, pegou sua trocha e correu na tentativa de não ser apanhado.
O lobo, para ajudar o amigo, saltou de dentro da trocha e foi logo avançando nos guardas. Mordeu um daqui, outro dali e outro acolá... Os demais, fugiram dos dentes e das garras afiadas do animal que pulava, mordia, latia e uivava. Os dois, vendo o caminho livre, correram na disparada. Mas a sua frente, encontraram mais e mais guardas. Então a correria foi maior...
Lá de dentro da trocha, bem indignado, pulou o lago todo desenrolado, alagando o palácio, do chão até o telhado.
O rei, apavorado, mandou chamar todos os seus soldados, os quais, para entrar no palácio, utilizaram canoas. Mas de nada adiantou, porque de dentro da trocha, saiu o espinheiro sacudindo seus compridos e pontiagudos espinhos. Espetou um daqui, outro dali, outro acolá... Parecia uma batalha interminável. Por fim, cansados, os saldados se debandaram, para não serem totalmente derrotados.
Fora do palácio, Polaco, o lobo, o espinheiro e o lago, respiraram aliviados. Cada qual voltou para o seu lugar.
A notícia da batalho se espalhou, chegando ao galinheiro, onde Frísia, ao saber do ocorrido, nem acreditou que seu miúdo filhinho tivesse tanta coragem.
Ao despedir-se dos amigos, Polaco voltou para casa. E ao chegar à porta de entrada, a franga Bela o esperava.
- Quem é você, que vai metendo as asas no portão e entrando assim com esta pose de capitão?
- Sou o Polaco, às suas ordens!
- Cócócó... Cócócó... Venham, venham!!! Cócócóóó... É você mesmo... O pintinho pelado, digo, Polaco, o filho da Frísia? – perguntou a franga Bela, com a cabeça cheia de ideias!
Dizem que os dois se casaram e tiveram muitas ninhadas de Polacos e de Polacas que se espalharam por este mundão a fora. E agora que você já sabe de onde surgiram esses galos, acabou a histórias!

(Releituras de Claudete T. da Mata, após relato de um morador da Ilha da Magia, sobre a assombração do teatro; leitura do conto popular "O Pinto Pelado", adaptado por Augusto Pessôa, escritor e contador de histórias)

EXEMPLO DE NARRATIVA NA TERCEIRA PESSOA

Acorda Figueira!




Estava um velho torcedor, com o seu radinho de pilha colado ao ouvido, ouvindo o jogo seguir seu rumo, quando, na sequência dos comentários, ele ouviu os torcedores do Figueirense pulando e gritando sem parar. Mas a torcida do Flamengo também vibrava, já que o time do coração precisava sair da temerosa zona de rebaixamento. Os minutos finais eram decisivos para ambos, na disputa da vitória, e para infelicidade do velho torcedor, o Mengão passou na frente do Figueira.


Os torcedores alvinegros não gostaram nem um pouquinho de ver o Figueira perder a 14ª partida no Brasileirão. Se continuar assim, o jeito é ter que aguentar as vaias avaianas, zoando da gente sem parar! Disse o velho torcedor com os olhos arregalados de fúria, e o coração ardendo feito brasa viva. Nessa partida, ninguém teve chance. Nem Louco Abreu com seu milionário salário, nem o goleirão com suas mãos hábeis. O estádio quase veio abaixo de tamanha alegria da torcida adversária, e quase pegando fogo, de tamanha ira da torcida perdedora.
Finalmente, aos quarenta e tantos sofridos minutos do segundo tempo o juiz apontou para o centro do campo, soltou o último apito que encerrou a partida.
E vendo derrotado o time do coração, o velho torcedor atirou o rádio no chão, exclamando pela milésima vez:
__ Nunca mais perco meu tempo ouvindo essa pouca vergonha!
 Mas, como todo bom e persistente torcedor, esse velho não tira o radinho de pilha do ouvido. Ele ainda guarda a esperança de ver o exausto Figueirense sair da faixa dos lanternas.
Meses depois, nem troca de técnicos, nem todos os esforços esfarrapados dos "exaustos" jogadores, nem reza braba, nada impediu a decadência do time do coração do "velho torcedor", na escala da segunda divisão.
Acorda, Figueira!!!
(Autoria: Claudete T. da Mata, 2012)
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CONTO DE INFÂNCIA, NA PRIMEIRA PESSOA
As três menininhas
Eu me lembro de muita coisa boa de minha infância, mas tenho dificuldade de contar detalhadamente os fatos.

Eu me lembro da primeira casinha em que moramos.
Era uma casinha de madeira bem conservadinha, tinha dois quartos uma sala enorme e uma cozinha do tamanho ideal para nossa familia, lembro que o banheiro era fora de casa, por isso, minha mãe guardava um pinico embaixo da cama para qualquer necessidade. Lá, nós fomos muito felizes.
Meu pai viajava e ficávamos a semana inteira esperando que ele chegasse.
Ás vezes, ele chegava e nós estávamos dormindo, então ele andava devagarinho para não nos acordar e sussurrava nos nossos ouvidos as palavras: ”papai te ama muito”!
Ás vezes, eu acordava, em seguida, com a impressão de tê-lo ouvido, corria para sala e pulava no colo dele.
Hoje eu sussurro no ouvido de meus filhos quando estão dormindo, com a esperança que o inconciênte deles sinta a força desse amor.

Meu pai sempre trazia alguma coisa especial para “as meninhas”, (assim que ele se referia à nós).
Ontem, estava olhando umas fotos antigas e encontrei uma em que as menininhas estão sentadinhas no sofá da sala.
Acho que eu deveria ter uns cinco ou seis anos.
Nessa época aconteciam muitas coisas engraçadas em casa.

Uma vez, meu pai chegou em casa trazendo umas raquetes de ping pong e uma bolinha.
Estava chovendo muito e não tí­nhamos onde brincar.
Como insistimos, mamãe deixou que brincássemos na sala, assim ela e papai poderiam namorar tranquilos no quarto.
Aí a festa começou.
E no vai e vem da bolinha nós nos divertí­amos muito até que ela foi em direção a cozinha procuramos muito, mais não encontramos.
Por coincidência, encontramos em cima da mesa, umas fruteira cheia de bolinhas branquinhas como a bolinha de ping pong e depois de brincarmos com uma delas achamos que aquelas eram ainda mais divertidas que a primeira.
Quando quase todas as bolinhas haviam sido usadas mamãe e papai chegaram na cozinha e ficaram assustados com o que viram.

A sorte das três menininhas era o bom humor do papai, que nunca deixava a mamãe se irritar e acabar com a festa.

No final daquele dia, papai, mamãe e as três menininhas, juntos limparam toda a cozinha e depois tomaram um bom banho para tirar o cheiro de ovo das mãos e do corpo.


As menininhas eram muito bagunceiras, aprontavam muito enquanto o papai viajava e a mamãe passava horas e horas sentada na máquina de costura.

Às vezes, as coisas ficavam difíceis, mas, como eu disse, tudo era festa para criança.
Comprar fiado no bar do Sr. Orlando, por exemplo.
Minha mãe sempre dizia que ele enfiava a faca.
No começo eu tinha medo de ir lá e fazer alguma coisa errada e ser esfaqueada. (risos)…

As coisas eram tudo muito simples.
Brincávamos de casinha em cima da mexeriqueira, ah!… como eu gostava, tinha um galho que parecia uma grande poltrona onde eu e meu pai gostávamos de sentar e nos balançar ali.
Mas, mamãe sempre ficava preocupada e dizia que qualquer dia cairí­amos.
Às vezes, eu faço isso com o meu marido e as crianças, estrago a festa por excesso de cuidado.

É difícil encontrar equilí­brio no papel de mãe.
À vezes, o amor fala alto e é difí­cil corrigir, às vezes, o medo nos impede de desfrutar momentos únicos.

Bom, acho que, realmente, tenho história para contar por muitos dias para os pequenos.

Na verdade, escrever é bem mais fácil do que eu imaginava, é mais fácil ainda, expressar sentimentos escrevendo do que apenas contando.

Só é preciso separar um pouquinho de tempo para isso, e aí flui facilmente.

Mas, deve ser um pouquinho de cada vez.